Re Publié - Bruxelles, le 18 juillet 2026 - 18:54:14
 
François Vieira
PhotoJournaliste accrédité* UE
*1999 - 2024
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PRÉSENTE

António Manuel Pereira da Costa Pinto*
*Lic. Ciências Sociais - Sociologia - Educação Física e Desporto
*Lic. Sciences sociales - Sociologie - Éducation Physique et Sports
*Credenciado - Accrédité : UE
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"OS PAIS DE HOJE"
No dizer do psicólogo espanhol Javier Urra, hoje em dia: "Os pais têm medo de ser pais. Têm medo de dizer "não", de enfrentar os filhos e de os castigar quando necessário. A criança de dois anos que não arruma os brinquedos, que aos 7 dá palmadas ao avô e aos 16 empurra os pais, é a mesma.
As crianças desde pequenas devem aceitar o que significa um "não" e assumir frustrações sem as reconverter em violência ou agressividade. Os pequenos ditadores não nascem, fazem-se e por isso as crianças devem ser educadas com amor e firmeza, balizando desde cedo os limites a não serem ultrapassados. Há pais que têm de ser adultos e de não permitirem tudo a seus filhos. Uma coisa é ser maior e outra é ser adulto".
Esta é a observação feita por Javier Urra (Doutorado em Psicologia e Ciências da Saúde, Pedagogo, Terapeuta e Professor na Universidade de Madrid) que no seu livro, descreve algumas ideias de como tratar/educar os filhos, sobretudo os mais problemáticos e agressivos, para com os pais e particularmente para com as mães.
Aquele professor deslocou-se ao nosso país por ocasião da apresentação do seu livro "O Pequeno Ditador Cresceu". Neste novo livro, o Prof. Urra desvenda uma realidade que não se conhecia, que se conhecia mal e por vezes se escamoteava: a violência exercida pelos filhos para com os pais. Hoje, essa situação que ocorria como um facto isolado e pontual é uma notícia recorrente na comunicação social. Este não é um problema isolado, mas um problema social grave, que se repete cada vez com mais frequência e a que se poderia chamar de pandemia de violência filial.
Partindo da realidade que conhece no país vizinho, cerca de 9000 novos casos por ano, a que correspondem cerca de 20% dos factos(compreende-se que para certos pais não seja fácil a divulgação desta situação) que ocorrem intramuros e em que cerca de 8% dos progenitores espanhóis são agredidos fisicamente pelos filhos, Javier Urra delineou um programa clínico com um campo de intervenção em internato e ambulatório trabalhando pais e filhos nas dificuldades de relacionamento entre si.
A Sociologia da Família há muito que se debruça sobre esta temática: a frequência com que se ouve que a "culpa é da sociedade" é deveras redutora. Parece ser claro porém, que esta não se poderá eximir à sua responsabilidade. Todavia, a sociedade tornou-se mais sensível e vigilante em relação a qualquer comportamento que possa ser percecionado como violência e criou-se uma censura social relativamente ao uso do castigo físico sobre as crianças, tendo-se gerado também grandes constrangimentos em relação ao exercício da autoridade.
Não se deve contudo escamotear a desresponsabilização individual ou familiar onde as interações familiares não existem ou são de uma pobreza atroz porque, os pais converteram a educação num espaço em que as crianças não podem sofrer, e onde estão muito protegidas.
Deixe-se pois de culpar a sociedade, o Estado ou a escola de todos os males, e enfrente-se como adultos responsáveis os nossos próprios problemas. Deixemo-nos de jogar a ser uns pais modernos, permissivos e colegas, e sejamos de uma vez por todas a única coisa de que os nossos filhos necessitam: uns bons pais.
Educar é como quando se aprende a conduzir: quem vai ao volante é o aprendiz, mas é o instrutor que tem a obrigação de dirigir, de dar as instruções e se necessário travar a fundo antes de se dar o choque.
Sobre o tempo que os pais devem dedicar aos filhos, Javier Urra considera que "é importante ter tempo de qualidade com os filhos".
As crianças necessitam sair, brincar, correr, de ar livre, precisam de jogar, têm de tocar na terra, na água. Precisam de compreender quem são e como são mas carecem de ser acompanhadas na descoberta do mundo. Atendendo às possíveis críticas sobre a atitude possessiva de muitos dos filhos e ao consequentemente fechamento(egoísmo e/ou agressividade) sobre as suas exigências para com os pais, Javier Urra lança um alerta de sabedoria feita de vida: "claro que a vida é feita de conflitos, mas se os pais estiverem educados, forem alertados para a necessidade de amarem os seus filhos, de lhes darem atenção, de imporem regras, não teremos jovens violentos, mas solidários" e acrescenta: "Há que ensiná-los a ver o lado positivo dos acontecimentos e a esquecer o lado negativo. Propagamos o bom senso, que nos diz que não convém encher a criança de brinquedos. Reiteramos que o critério dos pais tem de ser mais forte do que o impulso da criança, não são os filhos que devem moldar os pais"...
Todavia, vislumbra-se que, percorridos estes anos de grande evolução tecnológica e de cultura eletrónica e informativa, o crescimento de sinais preocupantes de abandono da relação interpares e intrafamiliares. Por outro lado em poucos anos passou-se de um modelo educativo rígido e inflexível para outro onde parece que os limites e os padrões são mais estabelecidos pelos alunos do que pelos professores. Impor disciplina significa ensinar, não estar constantemente a castigar: a disciplina não é sinónimo de crueldade, mas de humanidade. Freud afirmou " que se a criança não é canalizada, poderá converter-se numa espécie de perverso polimorfo".
Educar pressupõe dar segurança, afeto, transmitir valores, mandar e proibir: no entanto, é importante dar às crianças liberdade dentro de limites razoáveis.
Educar, é tarefa difícil, mas bela. Vale a pena viver para ela e a ela se dedicar sabendo que educar bem, jovens hoje, é formar cidadãos capazes para amanhã.
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